Uma das primeiras cenas da ópera Olga causa impacto: por um telão, desfilam momentos dramáticos da história do Brasil. Manifestações, polícia repressiva, o jornalista Vladimir Herzog enforcado, discursos de ditadores. Tudo em silêncio. Quando a música apoteótica tem início, a cena é transferida para uma prisão na Alemanha e, na sequência, para o sertão brasileiro, com direito a repente sobre a Coluna Prestes e figurino apropriado.
A história de Olga se passa entre 1930 e 1940, durante os governos de Getúlio Vargas, no Brasil, e Adolf Hitler, na Alemanha - Ópera.
Araújo rege a ópera pela primeira vez e está em Brasília há um mês. Desde que começou a trabalhar na partitura, está convencido de que Olga é a ópera mais importante já escrita em língua portuguesa e a mais relevante do século 20. “Estamos falando de uma ópera que teve 10 anos de gestação. É como se fosse o extrato mais profundo da essência de um povo. Temos aí um compositor que domina a história nacional e tem criatividade”, explica Araújo.
Professor da Universidade de Brasília (UnB) e pioneiro da música eletroacústica no Brasil, Antunes escreveu a ópera entre 1987 e 1997, mas apenas em 2006 pôde vê-la montada pela primeira vez no palco do Theatro Municipal de São Paulo, sob a direção de William Pereira.
Fonte: Correio Braziliense
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