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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Que Brasil é este?


As manifestações de Sete de Setembro, Dia da Independência no Brasil, não tiveram adesão popular e exibiram importante mutação se comparadas ao movimento de junho. Desta vez, a população não estava presente. Nem os cartazes individuais, grande número de estudantes, famílias ou  crianças. Promoveram baderna nas principais capitais do país, grupos de mascarados, afinados contra a corrupção, defendendo a prisão dos réus do mensalão, engataram uma cascata de depredação do patrimônio público e privado e confrontos com a polícia – que, exagerou em alguns casos, em outros não, para quem foi espectador das mobilizações ao vivo ou pela TV. O Brasil não estava na rua. Mas havia um Brasil na rua. É possível ou razoável subestimar a importância desse movimento? A resposta cada a cada um e ao tamanho das suas responsabilidades. Afinal, mascarado ou não e minoria ou não, esse Brasil de características difusas esteve presente de Norte a Sul em um país de dimensões continentais. É certo que a organização ou a mobilização por redes sociais prevalece e funciona. Mas que Brasil é este? Não é o da classe média.
Quatro economistas do sistema bancário privado, em contato com o Casa das Caldeiras por email neste fim de semana, três brasileiros e um estrangeiro residente no Brasil, demonstraram surpresa com a violência das manifestações em várias cidades, embora as manifestações fossem de conhecimento público e antecipado. Surpreendeu também a mobilização concentrada no fim de tarde de sábado, sobretudo em São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte – capitais classificadas como “mais ricas”, com “maiores contrastes” ou “as mais politizadas” do país.
Esse elenco enxuto de interlocutores ficou dividido meio a meio, porém, quanto ao efeito dessa última manifestação destacada pelo violência, mas coordenada nacionalmente. Dois brasileiros não veem grandes conseqüências. Para eles, os manifestantes estão mais para baderneiros do que para um cidadão comum. São exceção e não devem ser considerados. Para os outros dois, entre eles um estrangeiro, não é bem assim. Ainda que minoria, os mascarados têm poder de mobilização. E, especialmente no caso de cidades de grande concentração populacional, como São Paulo e Rio, as conseqüências seriam outras, e graves, se as manifestações tivessem ocorrido em um dia de semana e não em um sábado.
Os dois economistas que observaram a cena com um olhar mais ressabiado acreditam que há, sim, expectativa e curiosidade de investidores estrangeiros pela resposta à pergunta “que Brasil é este” que estava nas ruas no último sábado, Sete de Setembro?  O interesse pelo perfil desse Brasil que surpreende até brasileiros pela disposição ao confronto existe sim, ainda que em escalas diferentes. Um importante executivo do mercado de capitais, em conversa com o Valor na semana passada, deu importante exemplo. Esse experiente profissional revelou que investidores estrangeiros com posições proprietárias no Brasil não estão hesitando em desfazer dessas posições por terem se cansado do país e por considerarem difícil explicar a acionistas, controladores ou a outros investidores, como funcionam por aqui economia e política.
Dúvidas ou inquietações a respeito do Brasil qualquer um pode ter a qualquer momento. E o governo possivelmente tem uma resposta para arremessar contra a insegurança desses investidores. Mas o momento não seria feliz. Nós é que precisamos de investidores com bala na agulha para participar –financiando e dividindo risco--  de investimentos em infraestrutura, especialmente na arrancada dos leilões do programa de concessões a partir da próxima semana. 
Há um calendário denso a ser monitorado e que tem início com licitação de estradas. O ponto alto é, sem dúvida, o que nos aguarda em 21 de outubro – data prevista para o primeiro leilão de concessão por regime de partilha do campo de Libra, do pré-sal, a maior riqueza brasileira. E de uma complexidade também única de exploração.
As expectativas que cercam esses leilões são poderosas, independente das conseqüências efetivas e importantíssimas para o crescimento econômico a médio e longo prazos. De bate pronto, instituições consideram, por exemplo, que, bem sucedidos, os leilões consolidarão uma corrente de transferência de investimentos externos para o Brasil. A ampliação da oferta de dólares, dependendo da magnitude, levará a taxa de câmbio a buscar um patamar de estabilização e não outro.
Dependendo dos efeitos dos investimentos sobre custos e preços, as projeções para inflação também serão ajustadas. E aqui residem outras tantas perguntas que operadores vêm fazendo diariamente. Entre elas: Os investimentos, dependendo de onde ocorrerão, terão impacto nos custos setoriais? Esses custos, se elevados, chegarão aos preços ao consumidor? Mas, futuramente, os benefícios de setores mais eficientes não vão melhorar a escala de custos e, portanto, de preços e também de oferta, favorecendo o controle da inflação? E, tudo saindo como o planejado, o juro pode ser menor?
Evidente que tudo pode dar certo. Mas raramente há tanta precisão nesse tipo de cenário. E, se de um lado, grandes investidores se perguntam que Brasil é este? O governo Dilma Rousseff já está mobilizado para mapear a reação desses investidores às manifestações do sábado. E, neste sentido, o presidente e dois diretores do Banco Central (BC), Alexandre Tombini e Carlos Hamilton Araújo (Política Econômica) e Luiz Awazu Pereira (Assuntos Internacionais e Regulação) podem dar grande contribuição. Passaram o fim de semana com estrangeiros na reunião de bancos centrais comandada pelo Banco  para Compensações Internacionais (BIS), na Basileia, Suíça. Os três seguem em reuniões na Basileia ainda hoje.
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